Questões de Concurso
1 - (Fepese/PCISC – 2025)
Em uma determinada praia, um reclamante registra um Boletim de Ocorrência junto à autoridade oficial de um furto ou roubo de um anel de ouro. Posteriormente, um anel, supostamente sendo do reclamante, foi encontrado usando a técnica do detectorismo de metais. Entretanto, a análise das propriedades densidade, dureza e magnetismo da peça detectou que o anel correspondia ao mineral pirita, descartando a possibilidade de ser ouro.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras (V) e falsas (F) em relação ao assunto.
( ) O anel correspondia ao mineral pirita (FeS₂), semelhante ao mineral ouro (Au), entretanto sua densidade (5,01 – 5,02 g/cm3)* é menor que a densidade do ouro (19,3 g/cm3)*.
( ) Apesar de que ambos os minerais apresentavam cores amarelas e sistema cristalino isométrico, a dureza do ouro é maior quando comparada à dureza da pirita.
( ) O anel encontrado (pirita) apresentava um leve magnetismo (paramagnético), pois continha impureza de níquel (Ni28), descartando a possibilidade de ser ouro, uma vez que o ouro é um mineral ferromagnético.
*Valores de densidade conforme Museu de Minerais, Minérios e Rochas Heinz Ebert.
Obs.: O número atômico do elemento químico (Ni28), segue, exatamente, a Tabela Periódica.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
A) V V F
B) V F V
C) V F F
D) F V V
E) F F F
Resolução:
Afirmativa 1: Correta. Os valores das densidades da pirita (5,01 – 5,02 g/cm3) e do ouro (19,3 g/cm3) estão corretos.
Afirmativa 2: Errada. O Ouro tem uma dureza entre 2,5 e 3 e a pirita tem uma dureza entre 6 e 6,5.
Afirmativa 3: Errada. O Ouro é diamagnético e não ferromagnético. Mesmo que a pirita apresentasse leve paramagnetismo devido a impurezas, a alternativa ainda estaria incorreta.
Gabarito: letra C.
Explicação:
O ouro (Au) e a pirita (FeS₂) são minerais que frequentemente causam confusão visual, pois ambos apresentam cor amarela metálica. A pirita, inclusive, é conhecida como “ouro dos tolos”, justamente por enganar observadores menos experientes.
Entretanto, quando analisamos suas propriedades físicas, as diferenças tornam-se muito evidentes.
A densidade, que é a razão entre a massa de uma substância e o volume que ela ocupa, é uma propriedade diagnóstica muito importante. A densidade do Ouro é 19,3 g/cm3, enquanto a densidade da pirita é 5,01 a 5,02 g/cm3. Isso significa que um objeto de ouro é muito mais pesado que um objeto de pirita do mesmo tamanho.
A dureza é a resistência que um mineral apresenta ao ser riscado. Essa propriedade é medida pela Escala de Mohs. O Ouro tem uma dureza entre 2,5 e 3 e a pirita tem uma dureza entre 6 e 6,5.
O magnetismo é a propriedade que descreve como um material responde a um campo magnético externo. Em mineralogia, essa propriedade é útil para identificar minerais e compreender sua composição química.
Os minerais diamagnéticos são fracamente repelidos por um campo magnético externo. Eles não possuem elétrons desemparelhados, o que faz com que não haja momento magnético permanente e não são atraídos por campo magnético. Exemplos de minerais diamagnéticos são o ouro, o quartzo, a calcita e o diamante.
Os minerais paramagnéticos são fracamente atraídos por um campo magnético externo. Isso ocorre porque possuem elétrons desemparelhados, que geram pequenos momentos magnéticos. Exemplos de minerais paramagnéticos são a biotita, a olivina, a granada e a pirita (em alguns casos).
Os minerais ferromagnéticos são fortemente atraídos por um campo magnético e podem permanecer magnetizados após a remoção do campo. Exemplos de minerais ferromagnéticos incluem a magnetita, a pirrotita e o ferro metálico.
2 - (FGV/PCPI – 2025)
No curso de uma investigação de um crime ambiental em uma área industrial, o perito coletou cristais transparentes com brilho vítreo e dureza 7, encontrados próximos a uma descarga irregular de rejeitos. O mineral identificado e sua relevância forense são, respectivamente:
A) talco; indica contaminação por sedimentos finos.
B) quartzo; permite correlacionar o material com o local de origem.
C) calcita; evidencia deposição química recente.
D) mica; relaciona-se à presença de solos orgânicos.
E) feldspato; indica intemperismo físico intenso.
Resolução:
Dos minerais apresentados nas alternativas, o único mineral que tem dureza 7, de acordo com a escala de Mohs é o quartzo. Por isso, a alternativa correta é a letra B.
Gabarito: letra D.
Explicação:
Na análise do material coletado, o enunciado descreve cristais transparentes, com brilho vítreo e dureza 7, o que permite uma identificação mineral bastante direta. A dureza 7 na escala de Mohs é uma característica diagnóstica clássica do quartzo, um dos minerais mais abundantes da crosta terrestre. Além disso, o brilho vítreo e a transparência reforçam essa identificação, já que o quartzo frequentemente apresenta essas propriedades.
Outros minerais listados nas alternativas não se encaixam: o talco tem dureza 1 (muito macio), a calcita tem dureza 3 e reage com ácido, a mica possui dureza baixa (2–3) e hábito lamelar, e o feldspato, embora comum, apresenta dureza em torno de 6 e geralmente não é tão resistente quanto o quartzo.
Do ponto de vista forense, o quartzo é extremamente relevante porque é quimicamente estável e resistente ao intemperismo, o que permite que seus grãos preservem características como forma, inclusões, composição de traços e assinaturas específicas do ambiente geológico de origem. Assim, ele pode ser utilizado em estudos de proveniência, possibilitando correlacionar o material coletado com uma fonte específica, como uma área de descarte de rejeitos ou um depósito mineral. Essa capacidade de rastreamento é muito útil em investigações ambientais e criminais, pois ajuda a estabelecer o vínculo entre o local contaminado e a origem do material.
3 - (Vunesp/Prefeitura do Município de Itatiba - 2025)
Entre as características que permitem o reconhecimento de minerais, a dureza, a clivagem e a cor são alguns dos principais parâmetros observados. Com relação ao mineral quartzo, assinale a alternativa correta:
(A) O quartzo possui clivagem perfeita e dureza 5 na escala de Mohs.
(B) A coloração do quartzo é sempre transparente ou branca, o que facilita sua identificação.
(C) O quartzo apresenta fratura conchoidal e possui dureza 7 na escala de Mohs.
(D) O quartzo é um mineral macio, com dureza semelhante à do talco.
(E) O quartzo possui hábito metálico, o que facilita sua identificação visual.
Resolução:
O quartzo apresenta fratura conchoidal e dureza 7 na escala de Mohs, sendo um dos minerais mais resistentes e comuns da crosta terrestre.
Gabarito: letra C.
Explicação:
A alternativa C está correta porque descreve duas propriedades diagnósticas muito importantes do quartzo: a ausência de clivagem e a presença de fratura conchoidal, além da dureza 7 na escala de Mohs.
O quartzo é um mineral pertencente ao grupo dos tectossilicatos, com composição química SiO2. É extremamente comum em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares.
Uma das principais características do quartzo é sua elevada dureza:
Dureza do quartzo=7 na escala de Mohs
Isso significa que ele consegue riscar minerais com dureza inferior e pode riscar o vidro com facilidade.
Outra característica importante é a fratura conchoidal, isto é, uma superfície de quebra curva e lisa, semelhante à parte interna de uma concha. Essa propriedade ocorre porque o quartzo não apresenta clivagem. Em vez de se romper segundo planos cristalográficos preferenciais, ele se quebra de maneira irregular.
A alternativa A está incorreta porque o quartzo não possui clivagem perfeita e sua dureza não é 5. A alternativa B também está errada, pois o quartzo pode apresentar diversas cores além do transparente ou branco, como violeta na ametista, amarelo no citrino, rosa no quartzo rosa e marrom no quartzo fumê.
A alternativa D está incorreta porque o quartzo não é um mineral macio. O talco, citado na alternativa, possui dureza 1 e é o mineral mais macio da escala de Mohs, enquanto o quartzo possui dureza elevada. Já a alternativa E está errada porque o quartzo não apresenta brilho metálico, mas sim brilho vítreo.
4 - (Vunesp/Prefeitura do Município de Itatiba - 2025)
Os minerais apresentam algumas características físicas e químicas que possibilitam a sua classificação, sendo que, em uma delas, eles são subdivididos em dois grupos: metálicos e não metálicos.
Nesse sentido, é correto afirmar que os minerais são:
(A) elementos ou compostos químicos de composição variável e formados por processos naturais ou em laboratório por meio de processos inorgânicos.
(B) somente compostos químicos de composição variável e formados naturalmente por meio de processos orgânicos, na terra ou em corpos extraterrestres, sendo a limonita classificada como um mineral metálico.
(C) classificados como minerais metálicos por conterem na sua composição elementos físicos e químicos de metal, a exemplo da limonita, do quartzo e da pirita.
(D) elementos ou compostos químicos de composição definida, formados naturalmente por meio de processos inorgânicos na Terra ou em corpos extraterrestres, sendo a pirita classificada como mineral metálico.
(E) elementos ou compostos químicos de composição variável e formados naturalmente por processos inorgânicos na Terra ou em corpos extraterrestres, sendo a muscovita classificada como mineral não metálico.
Resolução:
Minerais são elementos ou compostos químicos de composição definida, formados naturalmente por processos inorgânicos na Terra ou em corpos extraterrestres. A pirita é corretamente classificada como um mineral metálico.
Gabarito: letra D.
Explicação:
Os minerais são elementos ou compostos químicos naturais, formados principalmente por processos inorgânicos, tanto na Terra quanto em corpos extraterrestres. Além disso, possuem composição química definida, ainda que possam ocorrer pequenas variações dentro de limites específicos, e apresentam estrutura cristalina organizada.
A pirita, citada na alternativa, é corretamente classificada como um mineral metálico. Sua composição química é FeS2, e ela apresenta brilho metálico característico, sendo frequentemente associada a minerais de minério devido à presença de ferro.
A alternativa A está incorreta porque afirma que minerais podem ser formados em laboratório. Substâncias produzidas artificialmente não são consideradas minerais naturais. Além disso, a composição química dos minerais não é totalmente variável, mas definida dentro de certos limites.
A alternativa B também está errada ao afirmar que os minerais são formados por processos orgânicos. Em Mineralogia, os minerais são tipicamente formados por processos inorgânicos.
Na alternativa C, o erro está em classificar o quartzo como mineral metálico. O quartzo é um mineral não metálico, com brilho vítreo e composição silicatada (SiO2).
Já a alternativa E erra ao afirmar que minerais possuem composição variável como característica geral. Embora a muscovita seja realmente um mineral não metálico, a definição apresentada permanece incorreta.
A classificação entre minerais metálicos e não metálicos está relacionada principalmente ao brilho, à composição química e às propriedades físicas. Minerais metálicos, como pirita, hematita e magnetita, apresentam brilho metálico e frequentemente contêm elementos metálicos de interesse econômico. Já minerais como quartzo, feldspato e muscovita são classificados como não metálicos.
5 - (CEBRASPE/Infra S.A. - 2025)
Tendo em vista que propriedades físicas e ópticas, como dureza, clivagem e pleocroísmo, são consideradas na identificação de gemas, julgue os próximos itens.
Pleocroísmo corresponde à mudança de cor observada quando a gema é vista em diferentes direções cristalográficas, sendo a turmalina um exemplo de gema que apresenta pleocroísmo marcante.
Resolução:
Pleocroísmo é a propriedade óptica em que um mineral ou gema apresenta diferentes cores quando observado em diferentes direções cristalográficas. A turmalina é um exemplo clássico de gema com pleocroísmo bastante marcante.
Gabarito: Correta.
Explicação:
O pleocroísmo é uma propriedade óptica observada em minerais anisotrópicos, isto é, minerais cuja estrutura cristalina faz com que a luz seja absorvida de maneira diferente conforme a direção em que atravessa o cristal. Como consequência, a gema pode apresentar variações de cor quando observada sob diferentes orientações cristalográficas.
Esse fenômeno ocorre devido à absorção seletiva da luz em diferentes direções dentro da estrutura cristalina do mineral. Assim, ao girar a gema ou modificar o ângulo de observação, podem ser percebidas tonalidades distintas.
A turmalina é um dos exemplos mais conhecidos de gema pleocróica. Em muitas variedades, a diferença de coloração entre as direções cristalográficas é bastante intensa, podendo variar, por exemplo, entre tons mais claros e mais escuros de verde, azul ou rosa. Por isso, o corte da gema geralmente é planejado de modo a destacar a cor mais desejável.
O pleocroísmo é especialmente importante na Gemologia porque auxilia:
- na identificação mineral;
- na distinção entre gemas naturais e sintéticas;
- na orientação do corte lapidário;
- na avaliação estética da gema.
Outras gemas que também podem apresentar pleocroísmo incluem cordierita, tanzanita, safira e andaluzita.
Já minerais isotrópicos, como os pertencentes ao sistema cúbico, não apresentam pleocroísmo significativo, pois a luz se comporta igualmente em todas as direções cristalográficas.
1 - (FGV/PCPI – 2025)
Ao investigar uma explosão suspeita, fragmentos rochosos contendo feldspato e piroxênio são encontrados ao redor da cratera. A análise petrográfica indica textura fanerítica. O tipo de rocha envolvida é:
A) ígnea extrusiva, solidificada rapidamente.
B) sedimentar, formada por deposição fluvial.
C) metamórfica, resultante de alta pressão.
D) ígnea intrusiva, associada a alta temperatura.
E) evaporítica, rica em sais.
Resolução:
A presença dos minerais feldspato e piroxênio, indica se tratar de rocha ígnea (isso elimina as alternativas B, C e E). A textura fanerítica indica ter se formado em alta profundidade (intrusiva).
Gabarito: letra D.
Explicação:A associação mineralógica entre feldspato, especialmente plagioclásio, e piroxênio é típica de rochas ígneas formadas a partir da cristalização de magmas em altas temperaturas, geralmente de composição básica a intermediária. Já a textura fanerítica indica que os cristais são visíveis a olho nu, o que implica um resfriamento lento do magma, permitindo o crescimento cristalino. Esse tipo de resfriamento ocorre em ambientes profundos na crosta terrestre, característicos de rochas ígneas intrusivas (plutônicas), como o gabro.
Dessa forma, ao integrar a mineralogia com a textura observada, conclui-se que a rocha em questão não pode ser extrusiva, pois estas se formam por resfriamento rápido e apresentam textura afanítica, nem sedimentar ou evaporítica, que possuem gênese completamente distinta, nem metamórfica, que resulta de transformações no estado sólido e apresenta outras características texturais. Portanto, a rocha envolvida é uma rocha ígnea intrusiva, formada em condições de alta temperatura no interior da crosta terrestre.
2 - (FGV/SGB – 2025)
No esquema de classificação das rochas ígneas plutônicas proposto pelo IUGS (Le Bas & Streckeisen 1991), baseado no diagrama Q-A-P-F, monzogranitos se distinguem dos sienogranitos:
A) respectivamente pela ausência e pela presença de feldspatoides.
B) pelo relativo maior teor em plagioclásio nos monzogranitos.
C) pelo maior teor de quartzo nos monzogranitos e menor nos sienogranitos.
D) pela ausência em quartzo e presença de feldspatoides nos sienogranitos.
E) por maiores teores relativos em albita, microclina e ortoclásio nos monzogranitos.
Resolução:
No diagrama QAPF, tanto monzogranitos quanto sienogranitos pertencem ao campo dos granitos (Q = 20–60%) e não possuem feldspatoides. A distinção entre eles está na proporção entre feldspato alcalino (A) e plagioclásio (P):
- Monzogranito: maior proporção relativa de plagioclásio (P = 35–65% dos feldspatos).
- Sienogranito: dominado por feldspato alcalino (P < 35%).
Logo, os monzogranitos têm relativamente mais plagioclásio que os sienogranitos.
Gabarito: letra B.
Explicação:No diagrama Q–A–P–F da IUGS, a classificação das rochas plutônicas félsicas leva em conta as proporções modais de quartzo (Q), feldspatos alcalinos (A) e plagioclásio (P), sendo que, no campo dos granitos, não há feldspatoides (F = 0). Portanto, tanto monzogranitos quanto sienogranitos são rochas saturadas em sílica, o que já elimina alternativas que mencionam feldspatoides.
A distinção entre esses dois tipos de granito não se baseia primariamente no teor de quartzo (que é semelhante em ambos, tipicamente entre ~20% e 60%), mas sim na relação entre feldspato alcalino (A) e plagioclásio (P). No monzogranito, há uma proporção mais equilibrada entre A e P, com participação significativa de plagioclásio. Já no sienogranito, predominam os feldspatos alcalinos, e o plagioclásio ocorre em proporções menores.
Assim, o critério distintivo é que o monzogranito apresenta relativamente mais plagioclásio do que o sienogranito. As demais alternativas incorrem em erros conceituais: não há feldspatoides nesses granitos, o teor de quartzo não é o fator discriminante principal, e os feldspatos alcalinos são mais abundantes no sienogranito, não no monzogranito.
3 - (Vunesp/MPSP - 2025)
Os silicatos, minerais mais comuns na crosta terrestre, são classificados de acordo com o arranjo entre os tetraedros de sílica e oxigênio.
Assinale a alternativa que contém um mineral que representa um inossilicato com estrutura cristalina de cadeia simples.
(A) Biotita.
(B) Augita.
(C) Forsterita.
(D) Hornblenda.
(E) Anortita.
Resolução:
A augita pertence ao grupo dos piroxênios, que são inosilicatos de cadeia simples, caracterizados pelo encadeamento linear dos tetraedros de sílica.
Gabarito: letra B.
Explicação:
Os silicatos são os minerais mais abundantes da crosta terrestre e sua classificação é baseada na forma como os tetraedros de sílica (SiO4)4− se organizam estruturalmente.
Nos inosilicatos, os tetraedros compartilham oxigênios formando cadeias. Essas cadeias podem ser:
- simples → grupo dos piroxênios;
- duplas → grupo dos anfibólios.
A augita é um mineral do grupo dos piroxênios, portanto possui estrutura de cadeia simples, característica típica dos inosilicatos simples. É um mineral comum em rochas ígneas máficas, como basaltos e gabros.
As demais alternativas estão incorretas porque pertencem a outros grupos estruturais dos silicatos:
- Biotita → filossilicato, com estrutura em folhas;
- Forsterita → nesossilicato, com tetraedros isolados;
- Hornblenda → anfibólio, inosilicato de cadeia dupla;
- Anortita → tectossilicato, pertencente ao grupo dos feldspatos.
4 - (Instituto Access/UNIPAMPA - 2025)
Durante o estudo petrográfico e geoquímico de um corpo intrusivo associado a um arco magmático continental, um geólogo identifica rochas com textura fanerítica média a grossa, composição intermediária félsica e presença dominante de plagioclásio zonado, quartzo intersticial, anfibólio e biotita, com ausência de olivina. Análises geoquímicas indicam enriquecimento relativo em LILE (K, Rb, Ba), anomalia negativa de Nb e Ta, além de razões elevadas de Sr/Y. Dados isotópicos sugerem contribuição significativa de material crustal na gênese do magma.
Considerando os dados petrográficos, geoquímicos e o contexto tectônico, o processo petrogenético compatível com a formação desse corpo ígneo é:
(A) Diferenciação magmática de magma basáltico toleítico em ambiente intraplaca, com evolução controlada predominantemente por fracionamento de olivina e piroxênio.
(B) Cristalização direta de magma alcalino derivado de fonte mantélica enriquecida, associada a regime extensional pós-orogênico.
(C) Fusão parcial de crosta continental espessada, induzida por aporte térmico de magmas mantélicos relacionados à subducção, seguida de assimilação crustal e cristalização fracionada.
(D) Fusão parcial direta do manto litosférico empobrecido, com ascensão rápida do magma e cristalização fracionada limitada em câmara rasa.
Resolução:
O corpo ígneo descrito apresenta características típicas de magmatismo de arco continental associado à subducção, com participação crustal significativa. O enriquecimento em LILE, a anomalia negativa de Nb e Ta e as altas razões Sr/Y indicam ambiente convergente e evolução magmática envolvendo fusão parcial da crosta continental, assimilação crustal e cristalização fracionada.
Gabarito: letra C.
Explicação:
Petrograficamente, a rocha apresenta textura fanerítica média a grossa, indicando cristalização lenta em profundidade, típica de rochas plutônicas. A composição intermediária a félsica, associada à presença dominante de plagioclásio zonado, quartzo, anfibólio e biotita, sugere afinidade cálcio-alcalina, muito comum em ambientes de subducção. A ausência de olivina também indica um magma relativamente evoluído, mais rico em sílica e menos máfico.
Os dados geoquímicos reforçam fortemente essa interpretação. O enriquecimento em elementos litófilos de grande raio iônico (LILE), como K, Rb e Ba, é característico de magmas gerados em zonas de subducção, pois fluidos liberados pela placa subductada enriquecem o manto sobrejacente nesses elementos.
A anomalia negativa de Nb e Ta é uma assinatura geoquímica clássica de arcos magmáticos. Esses elementos de alto campo de força tendem a permanecer retidos em minerais residuais da placa subductada, fazendo com que os magmas de arco apresentem empobrecimento relativo nesses elementos.
As elevadas razões Sr/Y também são importantes. Esse padrão é típico de magmas gerados sob altas pressões, frequentemente associados a:
- crosta espessada;
- retenção de granada na fonte;
- ausência de plagioclásio residual;
- magmatismo de arco continental evoluído.
Além disso, os dados isotópicos indicam contribuição significativa de material crustal, o que sugere assimilação crustal ou fusão parcial da crosta continental.
Assim, o cenário mais compatível é a fusão parcial da crosta continental espessada induzida pelo calor fornecido por magmas mantélicos relacionados à subducção, seguida por assimilação crustal e cristalização fracionada.
A alternativa C descreve exatamente esse processo.
As demais alternativas estão incorretas.
A alternativa A descreve diferenciação de magma toleítico intraplaca, típica de ambientes como riftes e hotspots, incompatível com a assinatura geoquímica de subducção.
A alternativa B envolve magmatismo alcalino pós-orogênico em regime extensional, o que não explica a anomalia negativa de Nb-Ta nem as altas razões Sr/Y.
A alternativa D propõe fusão direta de manto empobrecido com pouca evolução magmática, incompatível com a forte participação crustal indicada pelos dados isotópicos e pela composição mais evoluída da rocha.
Portanto, a alternativa correta é a letra C, pois integra adequadamente os dados petrográficos, geoquímicos, isotópicos e tectônicos apresentados na questão.
5 - (CEBRASPE/Infra S.A. - 2025)
Sabendo que o conhecimento acerca dos diferentes tipos de rochas é fundamental para a avaliação das condições geológicas do terreno e a mitigação de impactos ambientais associados à implantação de infraestruturas, julgue os itens subsequentes, relativos às rochas ígneas, metamórficas e sedimentares.
As rochas ígneas vulcânicas, como o basalto, apresentam, em geral, textura afanítica e estrutura vesicular.
Resolução:
As rochas ígneas vulcânicas, como o basalto, normalmente apresentam textura afanítica devido ao rápido resfriamento do magma na superfície. Além disso, podem apresentar estrutura vesicular, formada pela liberação de gases durante o resfriamento da lava.
Gabarito: Correta.
Explicação:
O basalto é uma rocha máfica formada pelo resfriamento rápido da lava na superfície terrestre ou próximo dela. Como o resfriamento ocorre rapidamente, os minerais não têm tempo suficiente para crescer visivelmente, originando uma textura afanítica, caracterizada por cristais muito finos, geralmente indistinguíveis a olho nu.
Além disso, o basalto frequentemente apresenta estrutura vesicular. As vesículas são cavidades formadas pela liberação de gases dissolvidos no magma durante a extrusão e o resfriamento da lava. Quando essas cavidades são posteriormente preenchidas por minerais secundários, como quartzo, calcita ou zeólitas, formam-se estruturas amigdaloidais.
As texturas das rochas ígneas estão diretamente relacionadas ao ambiente de cristalização e à velocidade de resfriamento do magma. Quanto mais lento o resfriamento, maiores tendem a ser os cristais; quanto mais rápido, menores eles serão.
A textura afanítica é típica das rochas vulcânicas, como basalto, andesito e riolito. Nela, os cristais são microscópicos devido ao rápido resfriamento em superfície.
Já a textura fanerítica ocorre em rochas plutônicas ou intrusivas, como granito, diorito e gabro. Nesse caso, o magma resfria lentamente em profundidade, permitindo o crescimento de cristais visíveis a olho nu.
Existe também a textura porfirítica, caracterizada pela presença de cristais maiores, chamados fenocristais, imersos em uma matriz mais fina. Essa textura indica duas fases de resfriamento: uma lenta, em profundidade, que permite o crescimento dos fenocristais, e outra rápida, próxima ou na superfície, formando a matriz fina. É comum em andesitos e basaltos porfiríticos.
Outra textura importante é a vítrea, típica de resfriamento extremamente rápido, sem tempo para cristalização mineral significativa. O exemplo clássico é a obsidiana, um vidro vulcânico.
Há ainda a textura pegmatítica, caracterizada por cristais extremamente grandes, geralmente formados em estágios finais de cristalização magmática ricos em fluidos. Pegmatitos frequentemente apresentam minerais gigantes de feldspato, mica e quartzo.
Nas rochas vulcânicas também pode ocorrer a textura piroclástica, formada pela acumulação de fragmentos vulcânicos expelidos durante erupções explosivas, como cinzas, lapilli e bombas vulcânicas.
1 - (FGV/PCPI – 2025)
Durante uma investigação de colapso de talude em área de mineração, o perito analisa a coesão e o ângulo de atrito interno do solo para determinar as causas do acidente. Esses parâmetros são fundamentais para:
A) estimar o teor de umidade do solo.
B) calcular a densidade de poros.
C) identificar minerais traço de contaminação.
D) definir o tipo de intemperismo dominante.
E) avaliar a estabilidade de encostas e rupturas potenciais.
Resolução:
A coesão (c) e o ângulo de atrito interno (φ) são parâmetros de resistência ao cisalhamento do solo, fundamentais na análise de estabilidade de taludes (critério de Mohr-Coulomb). Eles permitem avaliar se as tensões atuantes superam a resistência do material, indicando possibilidade de ruptura.
Gabarito: letra E.
Explicação:Na investigação de um colapso de talude, a análise da coesão (c), também chamado de intercepto efetivo de coesão, e do ângulo de atrito interno (φ) é central dentro da mecânica dos solos, pois esses parâmetros controlam diretamente a resistência ao cisalhamento do material. Essa relação é expressa pelo critério de Mohr-Coulomb, segundo o qual a resistência ao cisalhamento (τ) é dada por:
τ = c + σ'·tanφ,
em que σ' é a tensão normal efetiva. Em termos físicos, a coesão representa a parcela de resistência independente da tensão normal, associada a forças de ligação entre partículas (como cimentação ou atração eletrostática), enquanto o ângulo de atrito interno está relacionado ao atrito e ao travamento entre os grãos.
No contexto de taludes, esses dois parâmetros são essenciais para calcular o fator de segurança, que indica a relação entre as forças resistentes e as forças que tendem a provocar o deslizamento. Quando a resistência ao cisalhamento do solo é superada pelas tensões atuantes, ocorre a ruptura. Assim, conhecer c e φ permite modelar superfícies potenciais de ruptura, avaliar condições críticas (como saturação por água, que reduz a tensão efetiva) e entender os mecanismos que levaram ao colapso.
As demais alternativas não se relacionam diretamente com esses parâmetros: teor de umidade e densidade de poros envolvem outras propriedades físicas, minerais traço dizem respeito à geoquímica, e o tipo de intemperismo é um processo geológico mais amplo. Portanto, a aplicação direta de coesão e ângulo de atrito interno é na análise da estabilidade.
1 - (FGV/SGB – 2025)
No contexto da Gestão Integrada de Riscos de Desastres, o Serviço Geológico do Brasil/CPRM conceitua susceptibilidade como:
A) o grau de perda para um dado elemento, grupo ou comunidade dentro de uma determinada área passível de ser afetada por um fenômeno ou processo.
B) a capacidade de uma comunidade exposta ao perigo e ao risco em resistir, absorver, adaptar-se e recuperar-se dos efeitos de um evento em tempo adequado e de forma eficaz.
C) o total de perdas e danos causados por um fenômeno ou processos naturais e induzidos em uma dada área.
D) a potencialidade de ocorrência de um fenômeno ou processos naturais e induzidos em uma dada área em função de suas características intrínsecas do terreno (geologia, relevo, solo etc.)
E) uma sucessão de acontecimentos que culminam em um acidente natural.
Resolução:
No conceito do CPRM, susceptibilidade refere-se à propensão natural do terreno à ocorrência de um processo, com base em características como geologia, relevo e solo — sem considerar necessariamente ocupação humana ou danos.
Gabarito: letra D.
Explicação:No âmbito da Gestão Integrada de Riscos de Desastres, é fundamental distinguir conceitos que a banca costuma confundir propositalmente, como susceptibilidade, vulnerabilidade, risco, dano e resiliência.
A susceptibilidade, segundo o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), está relacionada às características naturais do meio físico, ou seja, à propensão de uma área sofrer determinado processo, independentemente da presença humana ou de possíveis perdas. Trata-se de uma análise baseada em fatores como geologia, relevo, solo, declividade, drenagem e condições geotécnicas, que indicam se o terreno é mais ou menos favorável à ocorrência de fenômenos como deslizamentos, erosões ou inundações.
Analisando as alternativas, a letra (A) define vulnerabilidade, pois trata do grau de perda de elementos expostos. A letra (B) descreve resiliência, que é a capacidade de resposta e recuperação. A letra (C) refere-se ao dano ou às perdas efetivamente ocorridas. A letra (E) é uma definição genérica de evento ou processo. Já a letra (D) corresponde exatamente ao conceito de susceptibilidade, ao associá-la à potencialidade de ocorrência de processos em função das características intrínsecas do terreno.
1 - (FGV/SGB – 2025)
Os elementos químicos são classificados em maiores e traços, incluindo-se dentre os últimos os elementos terras raras.
Analise as assertivas a seguir:
I – Elementos traços que não são de terras raras incluem Rb, Sr e Ce.
II – Nd, Gd e Lu são terras raras do grupo dos lantanídeos, ao passo que Th e U são actinídeos.
III – Os elementos de terras raras do grupo dos lantanídeos são comumente representados com valores normalizados pela composição dos condritos, ou do manto primitivo.
Está correto o que se afirma em:
A) I apenas.
B) II e III apenas.
C) I, II e III.
D) I e II apenas.
E) III apenas.
Resolução:
I. Errada — Ce (cério) é um elemento de terra rara (lantanídeo). Logo, não pode ser listado como “traço que não é terra rara”.
II. Correta — Nd, Gd e Lu são lantanídeos (ETR), enquanto Th e U pertencem aos actinídeos.
III. Correta — É prática padrão representar ETR normalizados por condritos ou manto primitivo para analisar padrões geoquímicos.
Gabarito: letra B.
Explicação:
A questão trata da classificação geoquímica dos elementos, em especial da distinção entre elementos maiores, elementos traço e elementos terras raras (ETR), além de conceitos importantes de representação em diagramas geoquímicos. Os elementos traço são aqueles que ocorrem em baixas concentrações nas rochas, geralmente inferiores a 0,1%, e incluem diversos grupos com comportamentos geoquímicos distintos, entre eles os elementos terras raras, os elementos de grande raio iônico (LILE) e os de alto campo de força (HFSE).
Na assertiva I, afirma-se que elementos traço que não são terras raras incluem Rb, Sr e Ce. De fato, rubídio (Rb) e estrôncio (Sr) são elementos traço e não pertencem ao grupo das terras raras, sendo classificados como LILE, com comportamento incompatível em muitos sistemas magmáticos. No entanto, o cério (Ce) é um elemento terra rara, pertencente à série dos lantanídeos. Assim, a assertiva está incorreta, pois inclui um elemento que efetivamente é uma terra rara entre aqueles que não seriam.
Os elementos de terras raras (ETRs ou REEs – Rare Earth Elements), também chamados de metais de terras raras, óxidos de terras raras, ou lantanídeos são um conjunto de 17 metais pesados. São eles o lantânio (La), cério (Ce), praseodímio (Pr), neodímio (Nd), promécio (Pm), samário (Sm), európio (Eu), gadolínio (Gd), térbio (Tb), disprósio (Dy), hólmio (Ho), érbio (Er), túlio (Tm), itérbio (Yb) e lutécio (Lu), mais o escândio (Sc) e ítrio (Y), que não são lantanídeos.
A assertiva II está correta ao afirmar que Nd (neodímio), Gd (gadolínio) e Lu (lutécio) são terras raras do grupo dos lantanídeos. Esses elementos fazem parte da série que vai do lantânio ao lutécio e são amplamente utilizados em estudos petrogenéticos devido ao seu comportamento sistemático durante processos magmáticos. A assertiva também acerta ao classificar tório (Th) e urânio (U) como actinídeos, elementos que pertencem a outra série da tabela periódica e que possuem grande relevância em geocronologia e geoquímica isotópica.
A assertiva III também está correta e aborda um procedimento fundamental na geoquímica de terras raras: a normalização dos seus teores em relação a padrões de referência, como os condritos (especialmente condritos do tipo C1) ou o manto primitivo. Essa normalização elimina o efeito de abundâncias absolutas e permite evidenciar padrões de fracionamento entre os elementos, revelando enriquecimentos ou empobrecimentos relativos. Além disso, possibilita identificar anomalias específicas, como a anomalia de európio (Eu), que pode indicar processos como cristalização fracionada de plagioclásio.
1 - (FGV/SGB – 2025)
Sobre o método de datação geocronológica U-Pb, analise os itens a seguir:
I – O isótopo 207Pb é decorrente do decaimento do 235U, e o 206Pb é decorrente do decaimento radioativo do 238U.
II – A idade de um zircão sempre equivale à sua idade 207Pb/206Pb. III.
III – O isótopo 206Pb é decorrente do decaimento do 235U, e o 207Pb é decorrente do decaimento radioativo do 238U.
Está correto o que se afirma em:
A) I e II apenas.
B) II e III apenas.
C) II apenas.
D) I apenas.
E) I, II e III.
Resolução:
I. Correta – 235U→207Pb e 238U→206Pb
II. Errada — A idade 207Pb/206Pb só é válida em condições específicas (ex.: sistema concordante); não é “sempre” igual à idade do zircão.
III. Errada — Está invertida em relação às cadeias de decaimento.
Gabarito: letra D.
Explicação:
A datação U–Pb baseia-se no decaimento radioativo de dois isótopos de urânio para dois isótopos estáveis de chumbo, formando dois “relógios” independentes: ²³⁸U → ²⁰⁶Pb (meia-vida ~4,47 Ga) e ²³⁵U → ²⁰⁷Pb (meia-vida ~0,704 Ga). Esse sistema duplo é justamente o que dá robustez ao método, permitindo verificações internas de concordância.
Na assertiva I, afirma-se que o ²⁰⁷Pb deriva do ²³⁵U e o ²⁰⁶Pb deriva do ²³⁸U. Essa relação está correta e corresponde exatamente aos dois esquemas de decaimento utilizados no método U–Pb.
A assertiva II diz que a idade de um zircão sempre equivale à sua idade ²⁰⁷Pb/²⁰⁶Pb. Isso está incorreto. Embora a razão ²⁰⁷Pb/²⁰⁶Pb seja muito útil, especialmente para minerais antigos, ela não é sempre equivalente à idade do zircão. Em análises U–Pb, as idades podem ser obtidas pelas razões ²⁰⁶Pb/²³⁸U, ²⁰⁷Pb/²³⁵U ou ²⁰⁷Pb/²⁰⁶Pb, e a escolha depende do contexto e da qualidade dos dados. Além disso, devido a processos como perda de Pb, é comum que as idades sejam discordantes, sendo necessária a utilização de diagramas como a concordia para determinar a idade mais confiável.
A assertiva III inverte os sistemas de decaimento ao afirmar que o ²⁰⁶Pb deriva do ²³⁵U e o ²⁰⁷Pb do ²³⁸U, o que está errado.
1 - (CEBRASPE/IPAAM- 2025)
Acerca de aspectos importantes da geologia de engenharia a serem considerados em projetos de barragens, assinale a opção correta.
A) Processos de intemperismo químico profundo em rochas cristalinas não interferem de forma significativa no comportamento geotécnico da fundação de barragens, desde que a rocha sã seja atingida em profundidades moderadas.
B) A presença de rochas ígneas maciças, independentemente de seu grau de fraturamento, garante baixa permeabilidade da fundação, dispensando a execução de cortinas de injeção.
C) Em fundações sobre rochas sedimentares estratificadas, o principal risco geológico está associado à resistência mecânica das camadas, sendo secundária a influência da orientação estrutural dos planos de acamamento.
D) A ocorrência de falhas geológicas ativas ou reativáveis em áreas de implantação de barragens é aceitável desde que o maciço rochoso apresente elevados valores de resistência à compressão simples.
E) Em maciços rochosos intensamente fraturados, a percolação de água tende a ocorrer preferencialmente ao longo das descontinuidades, o que compromete a estabilidade e justifica tratamentos como drenagem e impermeabilização da fundação.
Resolução:
Em maciços rochosos intensamente fraturados, a água tende a circular preferencialmente pelas descontinuidades (fraturas, falhas, juntas e planos de acamamento), aumentando a permeabilidade da fundação e podendo comprometer a estabilidade da barragem. Por isso, são comuns tratamentos como drenagem, impermeabilização e cortinas de injeção.
Gabarito: Letra E.
Explicação:
A alternativa A está incorreta porque o intemperismo químico interfere diretamente no comportamento geotécnico das fundações de barragens. Em rochas cristalinas, como granitos e gnaisses, os processos intempéricos promovem decomposição mineralógica, aumento da porosidade, redução da resistência mecânica e aumento da permeabilidade, além da formação de solos residuais. Minerais como feldspatos sofrem hidrólise e podem se transformar em argilominerais, reduzindo significativamente a competência geomecânica do maciço. Assim, mesmo quando existe rocha sã em profundidade, a presença de camadas alteradas pode comprometer a estabilidade, a estanqueidade e o comportamento deformacional da fundação. Por esse motivo, o grau de alteração intempérica é um dos principais parâmetros investigados em projetos de barragens.
A alternativa B também está incorreta ao afirmar que rochas ígneas maciças garantem baixa permeabilidade independentemente do grau de fraturamento. Na prática, mesmo rochas muito resistentes, como granitos e basaltos, podem apresentar elevada permeabilidade secundária quando intensamente fraturadas. A circulação de água ocorre preferencialmente por descontinuidades, como juntas, falhas, fraturas e zonas cisalhadas. Dessa forma, um granito bastante fraturado pode apresentar infiltrações significativas, exigindo tratamentos geotécnicos como cortinas de injeção, drenagem e impermeabilização. Na Geologia de Engenharia, a permeabilidade de um maciço rochoso depende muito mais das descontinuidades do que das propriedades da rocha intacta.
A alternativa C está incorreta porque, em rochas sedimentares estratificadas, a orientação estrutural possui enorme importância para a estabilidade da barragem. Os planos de acamamento podem atuar como superfícies preferenciais de ruptura, planos de deslizamento e caminhos de percolação de água. A relação entre o mergulho das camadas e a geometria da estrutura influencia diretamente o comportamento geotécnico do maciço. Camadas mergulhando para jusante, por exemplo, podem favorecer escorregamentos, enquanto a intercalação entre camadas permeáveis e impermeáveis pode gerar subpressões. Assim, a estrutura geológica é um fator central na análise de fundações de barragens.
A alternativa D também está errada porque falhas geológicas ativas ou potencialmente reativáveis representam elevado risco geológico. Essas estruturas podem provocar deslocamentos diferenciais, sismos induzidos, aumento da permeabilidade e até ruptura da fundação. Mesmo que a rocha apresente alta resistência à compressão simples, isso não elimina o risco tectônico associado à presença de falhas. A resistência da rocha intacta, isoladamente, não garante segurança quando existem estruturas geológicas instáveis. Por essa razão, áreas com falhas ativas normalmente são evitadas em projetos de barragens de grande porte.
A alternativa E é a correta porque descreve um dos principais problemas geológico-geotécnicos em barragens: a percolação de água ao longo das descontinuidades do maciço rochoso. Fraturas, juntas, falhas, foliações e planos de acamamento funcionam como caminhos preferenciais para o fluxo de água. Quando ocorre infiltração excessiva, há aumento da permeabilidade, redução da resistência ao cisalhamento, desenvolvimento de pressões de água nos poros e risco de erosão interna e piping, comprometendo a estabilidade da fundação e da barragem. Para minimizar esses problemas são utilizados tratamentos como cortinas de injeção, drenagem profunda, impermeabilização, tratamento de fraturas e sistemas de alívio de pressão.
2 - (CEBRASPE/INFRA S.A.- 2025)
Considere que a INFRA S.A. tenha contratado estudos geológico-geotécnicos para subsidiar o licenciamento e o projeto executivo de empreendimentos de infraestrutura de transporte, incluindo obras viárias, estruturas associadas (como barragens de regularização), pedreiras de empréstimo e obras subterrâneas. A partir desse contexto, julgue os itens a seguir.
Em projetos executivos de túneis, a identificação de descontinuidades com orientação desfavorável ao contorno escavado associada a níveis elevados de água pode exigir a revisão do suporte inicial e das medidas de drenagem, pois a presença de água reduz a resistência ao cisalhamento e favorece instabilidades ao longo de planos de fraqueza.
Resolução:
Em túneis, descontinuidades com orientação desfavorável, associadas à presença de água aumentam o risco de instabilidade do maciço. A água reduz a resistência ao cisalhamento, eleva a pressão nos poros e favorece rupturas ao longo de planos de fraqueza, podendo exigir reforço do suporte e revisão das medidas de drenagem.
Gabarito: Correta.
Explicação:
Em maciços rochosos, o comportamento geotécnico raramente depende apenas da resistência da rocha intacta. Na maioria das situações, a estabilidade é fortemente controlada pelas descontinuidades estruturais, como fraturas, juntas, falhas, foliações e planos de acamamento. Essas estruturas funcionam como superfícies preferenciais de ruptura e, quando apresentam orientação desfavorável em relação ao contorno escavado do túnel, podem favorecer destacamentos de blocos, escorregamentos e até colapsos localizados.
A situação se torna ainda mais crítica na presença de níveis elevados de água subterrânea. A água infiltra-se pelas descontinuidades e reduz a resistência ao cisalhamento ao longo dessas superfícies devido ao aumento da pressão neutra, também chamada de pressão de poros. Com isso, ocorre redução da tensão efetiva responsável pela estabilidade do maciço rochoso.
Além disso, a água pode provocar erosão interna, alteração mineralógica, lavagem de materiais finos, aumento da deformabilidade e instabilidades progressivas no maciço. Por essa razão, durante a execução de túneis, a identificação de descontinuidades desfavoráveis associadas à presença de água frequentemente exige revisão do projeto executivo e das medidas de suporte.
3 - (CEBRASPE/ANM - 2025)
Julgue os próximos itens, relativos à geologia de engenharia de barragens e de obras subterrâneas.
Na fase de estudos preliminares para construção de barragem, deve-se realizar análise da hidrogeologia local, para conhecimento de dobras ou zonas de cisalhamento, fluxo subterrâneo e permeabilidade das rochas.
Resolução:
A análise hidrogeológica estuda principalmente o fluxo subterrâneo, a permeabilidade e o comportamento da água no maciço. Já a identificação de dobras e zonas de cisalhamento pertence à geologia estrutural. A questão erra ao atribuir diretamente à hidrogeologia o estudo dessas estruturas geológicas.
Gabarito: Errada
Explicação:
Nos estudos preliminares para construção de barragens, a análise hidrogeológica é realmente indispensável, pois permite compreender como a água subterrânea circula no maciço rochoso, avaliando aspectos como fluxo subterrâneo, permeabilidade das rochas, nível freático, infiltrações e possíveis caminhos de percolação.
Essas informações são fundamentais para identificar problemas que possam comprometer a segurança da barragem, como perda de água do reservatório, erosão interna, piping, aumento de subpressões e instabilidades na fundação.
Dobras, falhas, fraturas e zonas de cisalhamento são estruturas geológicas estudadas principalmente pela geologia estrutural e pelo mapeamento geológico-geotécnico. É verdade que essas estruturas podem influenciar diretamente o comportamento hidrogeológico do maciço, já que muitas vezes funcionam como caminhos preferenciais para circulação de água subterrânea. Uma zona de cisalhamento, por exemplo, pode apresentar rocha intensamente fraturada e elevada permeabilidade. Ainda assim, a identificação e caracterização dessas feições pertencem ao campo da geologia estrutural, e não da hidrogeologia propriamente dita.
